Ideias / Comentários / Sugestões

1 Construir com as pessoas

Os programas eleitorais deveriam evidenciar que a sua construção está baseada numa consulta efectiva a grupos profissionais, empresários e parceiros sociais. Principalmente para as áreas identificadas como prioritárias. A implementação de vontades fica sacrificada quando não se envolvem os executantes no tempo certo. O carácter genérico das medidas apontadas surge, talvez, por falta dessa mesma construção de base e recomendações implementáveis. Os grandes partidos, os seus deputados, têm estrutura para fazê-lo atempadamente.

2  Apresentação de metas quantitativas e exibição pública dos resultados

Os objectivos são muito genéricos para ambos os programas. Uma excepção é a referência a metas quantitativas para a energia no programa PS ( pag. 23). Compromissos quantitativos faseados ao longo de 4 anos, e a sua respectiva exibição pública, permitiria avaliar os gestores públicos conforme defendem os dois maiores partidos. A credibilidade sairia reforçada apontando as consequências para o seu incumprimento.

3 Os gestores de topo do Estado

São referidas muitas medidas no que refere à administração pública – PSD (pag.30) e PS (pag.42). Nenhum refere qual o compromisso e política de recursos humanos relativamente aos administradores e quadros de topo. Podem existir muitas medidas para motivar as bases mas sem líderes, pelo exemplo e pela competência, tudo continuará igual. Os programas ganhariam credibilidade se os critérios para a nomeação e sua divulgação pública estivessem explicitados.

4 Esquecimento da Experiência Acumulada?

Os grandes partidos deviam diferenciar-se exibindo a sua experiência acumulada na gestão do país. Quando se lêem os programas parece que tudo vai começar de novo. Deveria ser apresentada a informação que justifica as opções estratégicas de fundo. Qual o impacto dessas mesmas decisões nas contas públicas? Qual o retorno previsto dos investimentos em termos económicos e sociais? A rotação de lideranças dos partidos provoca retrocessos na curva da experiência?

5 Humildade e apelo à intervenção do cidadão

Recomendar-se-ia que os programas não fossem apresentados como receitas milagrosas de cujo controlo é detido pelos partidos. Já poucos acreditam. Antes, chamar a atenção de que a mudança só é possível com os professores, os juízes, os trabalhadores industriais, os empreendedores etc… Apresentar as medidas facilitadoras concretas seria bem mais credível. O número de ideias, de iniciativas, é tão grande que fica a noção que o Estado vai continuar a crescer.

6  Acção Social e sustentabilidade

A generosidade impera em ambos os programas mas valia a pena, a favor da credibilidade e do bem geral, apresentar qual a sustentabilidade dessa mesma generosidade. Distribuem-se mais benefícios do que oportunidades de comer. O PSD propõe criar incentivos ao voluntariado na área social (pag.15) o que é inovador. 8 Diagnóstico e estratégia económica

7  Redução da despesa pública

O PS fala em melhorar a qualidade da despesa pública (pag.42) e o PSD em racionalização e redução da despesa pública (pag.9). No caso do PS seria bom explicar como financiar essa qualidade e qual o retorno esperado. No caso do PSD, e porque sabemos que é um tema difícil e mais que importante, convinha exibir experiência e explicar as linhas gerais de implementação e compromissos quantitativos.

8 Diagnóstico e estratégia económica

Sabemos que é necessário passar, a um ritmo consistente, da indústria baseada em mão de obra barata para a produção de tecnologia e produtos de maior valor acrescentado. Medidas avulsas são apontadas por ambos. A experiência deveria permitir quantificar o estado actual e prever o impacto das propostas agora apresentadas. Particularmente, deveria ser dado ênfase à passagem do conhecimento científico a valor económico.

9 Muitas propostas mas o mesmo modelo governativo.

Existe a vontade de implementar várias coisas mas não existe a proposta para repensar a organização do Estado, do Governo. Face às imperativas transformações, forçadas pelo contexto externo, não seria lógico repensar a organização do Governo com o intuito de colocar foco nos temas prioritários? Há quantos anos não é reorganizado o modelo governamental?

10 Continuidade da intervenção discricionária do Estado.

O número de propostas para apoio ao tecido empresarial é elevado e relevante, em ambos os programas. A arbitrariedade desses apoios deveria ser reduzida introduzindo critérios estratégicos e financeiros sólidos que não estão explícitos nos programas. A máquina fiscal poder-se-ia tornar inteligente para além de eficaz cobradora. Parcerias público-privadas para a gestão de fundos de apoio permitiria conduzirem dinheiro inteligente e exigente para as PME´s. Inteligente na medida em que contribuiria para a melhoria da capacidade de gestão dessas PME´s .

11 Copy/Paste

Os programas são, em parte, semelhantes um ao outro, com promessas, e mesmo expressões e palavras-chave, idênticas. Basta ver o capítulo dedicado às “políticas de juventude”, em que ambos os partidos conseguem o feito de prometer praticamente o mesmo, entre arrendamentos facilitados, estágios e bolsas de estudo (o preconceito paternalista em relação aos “jovens” é, de resto, um dado adquirido na política portuguesa). Mas não se diga que o PSD “copiou” o programa do PS. Essa será uma parte da realidade. A outra é que o PS também se esforçou por se antecipar, tentando abranger o máximo de matérias possível. Ainda assim, o programa do PSD é obviamente mais contido ou “prudente”.

 12 Bloco Central à vista?

Encontram-se diferenças entre as perspectivas de cada um. Os princípios são antagónicos: um é conservador, céptico do presente, orientado para o mercado; outro é progressista, afirmativo, dirigista. Em ambos nota-se, não raro, a imprecisão, a tentativa de ser esquivo, de modo a agradar a certo eleitorado e a não desagradar outro. Mas a verdade é que há pontos de encontro, acabando por ser possível, em abstracto, encaixá-los num eventual programa de governo de Bloco Central. A linguagem ofensiva (normalmente não directa) pode fazer crer que essa solução está fora da mesa, mas não se deve subestimar a capacidade de ginástica argumentativa, e estes programas têm frestas abertas que o permitem.

13 Da economia ao social

Na economia, o PS coloca-se como defensor do Estado, e o PSD advogado da iniciativa privada. O PSD é menos interventivo, não entende os privados como joguetes do Estado; assume a defesa de apoios indiferenciados (essencialmente fiscais) às empresas, em vez da discricionariedade das propostas do PS. No entanto, o apoio solidário aos indivíduos já é diferenciador, centrado em grupos tradicionais, e parece descurar outros estilos de vida, que o PS se preocupa em apoiar. Nos costumes, o PSD afirma timidamente pretender revogar a lei do divórcio e supõe-se que negue o casamento homossexual. O PS, bem ou mal, é claro na intenção de legalizar o CPMS e de prosseguir com a “política de género”.

14 O descrédito das propostas

Em ambos, faltam as contas. Como se pagam aquelas inúmeras medidas que sobrecarregam a actividade do Estado? Não se sabe como é que o PS vai arranjar os milhões de euros que quer entregar a empresas de vários sectores, ou para criar mais lojas do cidadão e serviços variados. Nem se sabe como é que o PSD vai evitar o desfalque da já debilitada Segurança Social, tendo em conta a proposta de redução da Taxa Social Única (e a de reforçar o subsídio de desemprego). Ambos recusam a ideia de agravar (significativamente) a carga fiscal. Supondo que avançam com o que propõem, ou acabam mesmo por subir os impostos, ou o défice aumenta (ainda mais), ou corta-se noutras prestações. Não sabemos.

15 A desculpa da crise

O PS promete implementar o PRODER na Agricultura, “como instrumento de combate à nova realidade imposta pela crise global, que também atinge o sector agrícola e o mundo rural”. No entanto, segundo especialistas, a agropecuária é dos sectores que saem menos prejudicados pela crise internacional, e que mais potencialidades apresentam a curto prazo. Sabendo que esta Legislatura foi rica em confrontos entre o Governo e os agricultores, isto soa a uma desculpabilização pelo estado do sector em Portugal, atirando-se as culpas à crise. Por sua vez, o PSD pisca o olho aos agricultores, deixando críticas à gestão dos fundos comunitários e prometendo uma reestruturação do odiado Ministério.

16 Professores: autoridade e avaliação

O PS tenta acalmar ânimos na educação, falando em autoridade dos professores e disponibilizando-se para negociar; mas, em contraste, anuncia a intenção de prosseguir a segunda fase do modelo de avaliação. O PSD acena aos professores, mas não diz o que pretende, escudando-se numa referência aos modelos de avaliação de outros países europeus. Ambos querem restaurar o poder na sala de aula: para isso, o PS quer reforçar o papel do director de escola e o PSD agilizar os processos disciplinares. São ambas propostas algo questionáveis, que colocam em causa um processo justo a que os alunos devem ter direito. O PSD quer ainda rever o estatuto do aluno, apontado como facilitista.

17 O fim do Império?

O PS apresenta uma medida bastante corajosa, ao defender a supressão do poderio das ordens profissionais no acesso ao exercício dos respectivos ofícios. Propõe, assim, que passe a competir às instituições de ensino superior devidamente acreditadas atribuir os “graus exigíveis para o exercício de actividades”. Por sua vez, o PSD ganha coragem no domínio da comunicação social, propondo a “clarificação e limitação de competências da ERC“, deixando de ter autoridade sobre critérios editoriais privados, que passarão para a “auto-regulação” e o escrutínio do destinatário. São duas propostas arrojadas, mas que também parecem sensatas.

 

18  Guerrilha das Regiões Autónomas

A questão das Regiões Autónomas é dos capítulos onde se nota maior clivagem. E as razões são essencialmente circunstanciais e partidárias. O PS, sob o título “Aprofundar a autonomia”, quer na verdade aumentar a intervenção do Estado nas regiões. Promete continuar a diferenciar o financiamento entre a Madeira e os Açores, atira farpas directamente à Madeira, falando na Justiça e na liberdade de imprensa, e quer um “Plano Integrado”. O PSD denuncia a “instrumentalização das relações entre regiões e órgãos de soberania” com fins político-partidários e promete não prejudicar “indevidamente uma delas” no financiamento a dar. É, evidentemente, uma luta em que cada um apoia o bastião respectivo.

19 O acordo ortográfico

Os dois partidos manifestam vontade de promover mais o Português, com propostas ambiciosas, como a sua adopção enquanto língua de trabalho em organizações internacionais. Só não se sabe se, depois de tantos compromissos falhados, será desta vez que algo sólido se constrói. E há uma diferença entre eles: o PS assume a intenção de prosseguir e promover o acordo ortográfico; o PSD nada diz, apesar de ter estado intrinsecamente ligado à sua elaboração. Não é difícil concluir que ambos têm a mesma perspectiva no assunto, defensora da intervenção discricionária dos políticos sobre a língua que todos falamos.

20  (Falta de) Política Externa

Na defesa e na política externa, os programas dos dois partidos de governo concorrem entre a explicação do actual posicionamento português no mundo e a destilação de generalidades programáticas. Não se concretiza para lá do óbvio. Ficam ideias para a reforma da ONU e UE, mas não se sabe que tipo de cooperação se quer com os EUA ou com a Venezuela (ou, de entre os dois, qual se escolhe). Não se diz quais os requisitos para as Forças Armadas intervirem num conflito. O PS fala em mudança do paradigma internacional, mas não concretiza a sua visão dessa nova ordem. Ao ler-se esses capítulos, corre o sentimento de que qualquer pessoa poderia tê-lo elaborado, com um manual de secundário ao lado.

21 Garantir e reforçar a eficiência e eficácia do sistema de justiça

A selecção e a formação dos operadores de justiça, em especial dos magistrados, exige atenção cuidada. Os processos e métodos de selecção e a formação inicial carecem de análise independente actual. O que está em causa é saber qual o complexo interdependente de conhecimentos, de atitudes e de comportamentos em que se deve centrar a formação, particularmente a competência comportamental (conhecimentos, características individuais, capacidades adquiridas) necessária à resolução de problemas humanos de modo eficaz e à capacidade de comunicar com os destinatários das normas. Para tanto será constituída uma Comissão Independente que apresentará um relatório de análise e propostas no termo do 1º ano da Legislatura.

22  Garantir e reforçar os direitos das vítimas de crimes

Segurança: protecção em relação aos agressores e a qualquer revitimização; prevenção e reposição do sentimento de segurança individual e comunitário; 

Acesso: participação nos processos do sistema de justiça, dispondo de toda a informação e de apoios, independentemente das circunstâncias individuais ou familiares;

Informação sobre o sistema de justiça de forma clara, concisa e amigável;

Apoio na participação nos processos, na reparação e recuperação dos traumas da vitimização;

Continuidade: apoio, através de todas as fases do processo judiciário e de recuperação do trauma;

Participação, reconhecendo e reforçando a capacidade de intervenção da vítima como sujeito processual e não como mero produtor de prova.

23  Garantir e reforçar a segurança dos cidadãos em situações de emergência

Os tempos de resposta da polícia às situações urgentes/emergências (crime in itinere/ perigo de vida) estão em relação com o sentimento de insegurança. Torna-se necessário proceder a uma avaliação actual dos seguintes parâmetros:

a)    Protocolos em uso pelas Forças e Serviços de Segurança para recolher e avaliar dados para estabelecer a urgência dos pedidos de intervenção;

b)    Processo de atendimento, tratamento e resposta às chamadas por incidentes urgentes e não urgentes;

c)    Informação pública nas respectivas áreas de acção dos tempos de resposta a cada tipo de incidentes.

Esta avaliação será efectuada por uma comissão independente de âmbito nacional e com a participação dos municípios durante o 1º ano da Legislatura.

 

24  Garantir e reforçar a prevenção do crime como responsabilidade conjunta da Polícia e dos Cidadãos

O impacto da acção policial na prevenção do crime é mínimo quando confrontado com a potencialidade da actuação dos cidadãos em articulação com a Polícia: por isso a prevenção do crime deve ser partilhada entre a Polícia e os cidadãos e entre estes.

A garantia e reforço da prevenção do crime deve ser baseada no conceito de cooperação solicitando a participação dos cidadãos na prevenção da criminalidade contra o património e a segurança pessoal nas áreas residenciais urbanas/rurais.

A criação do sistema, a selecção, a formação e o modelo funcional será da responsabilidade do sistema de polícia procurando envolver cidadãos seniores e aposentados/reformados até meio da Legislatura.

 25 Garantir e reforçar definições de política criminal, de prevenção e segurança

Para tal, durante a primeira metade da Legislatura, nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Setúbal, definir-se-ão:

a)    a prevalência de «sentimentos de insegurança» e do «medo do crime»;

b)    os «motivos de insegurança» e as «medidas» sugeridas pela população para reduzir a «insegurança e a criminalidade»;

c)    a prevalência e incidência de vitimações pessoais e contra bens patrimoniais familiares;

d)    os grupos sócio-demográficos mais «inseguros» e mais «vulneráveis» em termos de vitimação violenta e patrimonial;

e)    a «imagem» das autoridades policiais e do sistema de justiça criminal, em geral, bem como da «disponibilidade» para aceitar «mecanismos alternativos», como a «mediação», em termos de prevenção e de controlo da criminalidade.

 26  Garantir e reforçar a eficiência e a eficácia operacional do sistema das Forças e Serviços de Segurança

É urgente perspectivar as funções gerais da Polícia (F&SS), ou seja os “papéis” e estatutos que tornem viáveis e harmónicas as relações dentro o sistema das F&SS por forma a gerar nele indispensáveis sinergias. Isto tendo como fundamento a necessidade de garantir um equilíbrio aceitável entre liberdade e segurança, conforme à organização democrática da sociedade e do Estado e a necessidade de dotar o sistema das F&SS de uma organização racional e coerente.

Esta orientação será objecto de estudo a realizar por uma comissão de peritos independente que será concluído no termo do 2º ano da Legislatura.

27  Garantir e reforçar a eficiência e a eficácia da formação e treino do sistema das Forças e Serviços de Segurança

A coesão, controlo, estabilidade e progresso do sistema de polícia ou do Sistema da Forças e Serviços de Segurança exige que se estabeleçam os princípios gerais orientadores dos estabelecimentos de ensino e formação das F&SS, gerais e específicos, clarificando nomeadamente:

a)    O entendimento quanto: às regras organizacionais que satisfaçam critérios pré-estabelecidos e que possam ser verificados; ao ambiente organizacional e ao que este deve promover e apoiar; ao progresso continuado à luz da avaliação interna dos curricula e dos métodos pedagógicos;

b)    O entendimento quanto ao sistema de formação na perspectiva do desenvolvimento, preservação e reconhecimento da perícia de formação com reflexos estatutários;

c)    O entendimento quanto à disciplina aplicável aos formandos e estagiários, do ponto de vista do processo de formação.

Esta orientação será objecto de estudo a realizar por uma comissão de peritos independente que será concluído no termo do 2º ano da Legislatura em conjugação com a medida 6. 

28  Garantir e reforçar a competência e motivação profissional dos recursos humanos das Forças e Serviços de Segurança

A formação e o aperfeiçoamento adequados aos princípios básicos de actuação das Forças e Serviços de Segurança (a ser adoptados na presente legislatura) deverão garantir a promoção de condições para um adequado aperfeiçoamento e promoção profissional, social e humana de todos os profissionais das F&SS. O fundamento terá de decorrer das disposições estatutárias que observem os princípios de objectividade, igualdade de oportunidades, mérito e capacidade individual.

A avaliação dos aspectos enunciados será feita por uma comissão independente de peritos que apresentará recomendações até final do 2º ano da Legislatura.

29  Garantir e reforçar a perícia e competência de um sistema nacional de formação de polícia no âmbito da qualificação/capacitação básica de polícia criminal

A actual dispersão da qualificação/capacitação básica dos órgãos de polícia criminal (o.p.c.) exige análise, reflexão e revisão. A racionalidade e a economia de um sistema de polícia criminal não se compadece com este estado de coisas. Será constituída uma comissão independente de peritos para analisar a situação e propor recomendações/medidas, levando em consideração:

a)    As entidades, órgãos e serviços que desenvolvem formação neste domínio;

b)    A inventariação dos recursos humanos de formação respectivos, perícia, qualificação, formação pedagógica e técnica;

c)    O sistema de recrutamento e selecção de formadores em cada ma daquelas entidades, órgãos e serviços;

d)    Os órgão de controlo pedagógico e científico da formação e respectivo sistema e metodologia;

e)    A autonomia pedagógica, científica e técnica e os meios em que se apoia.

f)     A definição de níveis de qualificação/capacitação dos o.p.c.

g)    A natureza e extensão de um programa de capacitação dos magistrados em formação neste âmbito.

30  Garantir e reforçar a perícia e competência de um sistema nacional de formação de polícia no âmbito da qualificação/capacitação básica de policiamento (segurança e ordem pública)

A formação inicial da polícia em uniforme deve responder às necessidade de um policiamento/patrulhamento efectivo que permita ter em conta:

a)    Os contextos sociais fluidos, complexos e idiossincráticos;

b)    A satisfação das tarefas policiais depende dramaticamente da qualidade da discricionariedade técnica informada exercida pelos agentes/militares;

c)    A qualidade desta discricionariedade técnica depende da confiança, autocontrolo e do grau de compreensão que permitam ao agente diagnosticar a situação que requer actuação profissional;

d)    A concretização deste papel de polícia requer uma organização que dá efectivo apoio ao agente uniformizado na resolução de problemas.

A avaliação dos pressupostos e da situação actual neste domínio será cometida a uma comissão independente que proporá recomendações até ao final da 1ª sessão legislativa.

31 Na conjuntura actual e 35 anos após o 25 de Abril os portugueses necessitam de fazer uma reavaliação séria da vida política e dos seus actores que fizeram deste país o mais pobre da Comunidade Europeia e o que mais se afasta a cada dia da média comunitária. São 2 milhões de pobres, o mesmo número de analfabetos adultos (que não coincidem necessariamente), uma corrupção incontrolável, uma sistemática impunidade dos privilegiados e o abandono crónico dos desprotegidos. A liberdade conquistada naquele tempo não foi utilizada para o desenvolvimento do país que foi antes conduzido pela via da mediocridade, desprezando os valores da educação, da competência, da produtividade e da justiça.

32  Os diversos governos que se sucederam limitaram-se a cumprir metas a médio prazo, visando quase sempre soluções que facilitassem a ocupação do poder após os 4 anos da legislatura. Nunca houve uma reforma profunda da educação, nem uma reforma agrária, nunca se promoveu a competitividade nem a inovação, nunca se fez uma reforma dos partidos políticos que continuam a funcionar da mesma maneira como funcionavam há 30 anos, com a mesma estrutura estalinista e dirigidos pelas mesmas ideologias e até pelos mesmos personagens. Os políticos em Portugal gozam de privilégios atractivos, criando à sua volta redes de proteccionismo que proporcionam formas subtis e eficazes de corrupção. A classe política portuguesa é a que mais facilmente enriquece enquanto o país empobrece.

33  O problema mais importante do país é a educação das massas, um projecto a longo termo cujos resultados não são visíveis de imediato e por isso nunca satisfez os interesses dos governos de 4 anos. A formação dos professores é deficiente e os planos educativos da rede escolar são arcaicos. Temos uma das educações mais caras da Europa em termos orçamentais e das menos eficazes, com uma das percentagens mais baixas de alunos a alcançar o ensino superior. A multiplicação das instituições de ensino na década de ’80 não trouxe qualidade e antes produziu uma população desempregada e inapta para um trabalho produtivo. Deixaram-se ao abandono os adultos analfabetos que continuam a representar 20% da população do país. Nenhum país pode pretender progredir com 20% da sua população excluída da cidadania ou vivendo uma cidadania precária.

34  O sistema político que temos não garante mais a representatividade dos cidadãos junto dos órgãos do poder. Os partidos políticos estão organizados de maneira piramidal, dirigidos de cima para baixo, cada vez mais separados das necessidades e dos anseios da população. É necessária uma reforma política, dividindo o país em círculos eleitorais uninominais, de modo a que o cidadão saiba exactamente quem o representa junto dos órgãos do poder, não que partido mas que pessoa o representa e a quem possa pedir contas. Os partidos continuarão a ser a base da vida política nacional, mas serão as pessoas e não partidos os representantes do povo. Uma reforma política supõe igualmente uma revisão da constituição que não se adapta mais às necessidades do século XXI

35 A justiça em Portugal é um dos sectores mais fragilizados da vida nacional, tornando-se a cada dia mais evidente a sua ineficácia. O problema vem desde a formação nas faculdades de direito e do poder corporativo dos intervenientes na justiça que conseguiram ao longo dos anos acumular privilégios únicos. O acesso à justiça por parte dos cidadãos não é igualitário e os cidadãos privilegiados raramente são condenados mesmo por crimes graves, enquanto os desprotegidos raramente beneficiam do poder decisivo da justiça. A promiscuidade entre a política e a justiça, denunciada cada vez mais, tem de ser erradicada de vez do nosso sistema judicial e os tribunais terão que encontrar meios para que a justiça funcione a tempo e horas.

36 Não pode haver progresso sem inovação e não há inovação sem competência profissional. As empresas que fecharam com a crise não abrirão mais e o país enfrenta uma situação muito grave ao nível do emprego para a qual não há solução milagrosa. O que não foi feito antes terá que ser feito agora de maneira drástica: um investimento enorme na formação profissional, que só dará os primeiros resultados daqui por muito mais de 4 anos. Entretanto, será necessário que o estado ocupe um espaço muito maior do que deveria na vida nacional, mesmo se para tal seja necessário aumentar consideravelmente o deficit público. A formação profissional que não foi feita no passado e a criação de postos de trabalho em empreendimentos de estado custarão agora uma fatia considerável do orçamento. Será necessário conciliar o investimento público com a formação profissional, o grande desafio dos próximos anos.

37 TRADUÇÃO/LLF – Sendo que a ideia base que me levou a envolver neste twittjecto foi a de construtivamente esclarecer e transformar cada cidadão num eleitor informado, proponho-me traduzir o que realmente os partidos do arco governativo querem dizer com “programa de governo”, já que por normal nenhum deles se incomoda em legendar o dito, mandar fazer uma edição para colorir, ou contratar o Rui Unas para efectuar a dobragem.
Sendo que entendo que a classe política não compreende quem é suposto representar, ou apenas escribam programas para serem analisados por Marcelos e Delgados, proponho que: ou escrevem algo claro e cabalmente entendível por toda a população nacional, ou ter-me-ão à perna para os traduzir. E, meus caros, vocês não vão querer que isso aconteça.

38 DESMISTIFICAÇÃO/LLF – Ser Primeiro-Ministro é como ser administrador do condomínio, e tanto Sócrates como Leite estão bem posicionados para tal. A obrigação do administrador é zelar pela integridade do nosso edifício e, ao final do seu mmandato, deixá-lo pelo menos nas mesmas condições estruturais em que o encontrou.
A diferença reside então em saber se o eleitor prefere um administrador que manda construir uma piscina no terraço, e uma garagem com arrecadações onde apenas existia uma fossa céptica, recorrendo para tal a crédito caro, ou outro que deixa as contas certinhas mas, não só não executa mais-valias, como nos segue por cada hall munida de um pau grande e pesadote, pronto a actuar na nossa cabeça assim nos esqueçamos de uma luz acesa.

Participantes

Até à data estão comprometidos com a iniciativa as seguintes pessoas:

@anleite

@GallodeBarcelos 

@Jorge_Serrote

@leloupfou

@livrosxescritos 

@mafantunes

@maverick47

@portugalgoofy

@sirluso

Calendário

1. Dia 4 de Setembro, das 21horas às 24 horas, debate geral no Twitter

2. Dia 2 de Setembro inserção do “post” de grupo

3. Dia 30 de Agosto, colocação das 10 ideias individuais que serão afinadas até ao dia 2 de Setembro entre os participantes

4. Dia 27 de Agosto prevê-se que estará disponível programa do PSD

Metodologia de trabalho

1. Listar um conjunto de +/-  10 ideias, por pessoa, que possam contribuir para um maior esclarecimento do eleitor;

2. A exposição de cada ideia deve ser a mais sucinta possível e limitada a 700 caracteres;

3. Não permitir comentários que possam ser entendidos como ofensivos ou de ataque pessoal;

4. Se existir sobreposição de ideias os intervenientes procurarão condensar a ideia a um texto comum.

5. Se alguém quiser construir sobre a ideia de outro devem dialogar a dois e apresentar a ideia enriquecida.

6. Se alguém quiser obstar à inserção de algum comentário ou sugerir outro formato deve contactar o parceiro de trabalho.

7. Se for entendido como positivo agruparemos as ideias por grandes temas. Ex. Crescimento Económico, Controle da despesa e da divida, Capital Humano…etc

8. Dois dias antes, no dia 2 de Setembro, é apresentada num único “post” a síntese do trabalho

9. Todos os comentários/sugestões aparecerão como trabalho do grupo. Assim, não constará a identificação do autor à frente de cada item.

10. Se possível incluiremos instrumentos de “voting” para que a rede social Twitter identifique os temas mais relevantes

11. Durante as 3 horas de debate os cruzamentos são livres, todos têm direito a exprimir-se e deverá evitar-se efeitos de baleia e golfinho (pessoas que deixam de contribuir ou voltam repetidamente ao de cima para afirmar a sua convicção).

12. A missão dos autores é ouvir, questionar e incorporar se for caso disso.